Fotos

by Renata Assumpção

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Fim da Gambiarra


República Gambiarra em Barão Geral. A boa localização foi o diferencial na hora de fechar o contrato.

Sete horas da noite. Quatro integrantes da Republica Gambiarra deixam a casa para ir fazer compras no supermercado. Luca e Thomaz ficam na casa. O primeiro estudando e fazendo o jantar, o segundo dormindo em seu quarto. Um estrondo na porta da sala. Luca não se incomoda porque muitos dos que ali moram costumam chegar fazendo barulho. Um segundo estrondo. O estudante se dirige à sala e percebe que são pontapés que pretendem derrubar a porta. Terceiro. Quarto. O estudante grita. Quinto, a porta vem ao chão e dois homens encapuzados e armados entram.



Uma nova fechadura tetra foi colocada. A porta continua a mesma
e conserva as marcas da invasão.

Os assaltantes se dirigem ao computador ligado na sala. Luca olha para o lado deixando os assaltantes irritados. Não se mexe ou leva tiro. Ele volta a encarar o chão. Do lado de fora, um terceiro assaltante esperava em um carro. Luca ficou ainda um bom tempo deitado no chão com medo. Foi assim que Thomaz encontrou seu amigo na cozinha. A ação toda não levou mais de 3 minutos, mas foi suficiente para decretar o fim da Republica Gambiarra.



Membros da república. Luca (segundo da esq. para dir.)é de cidade pequena e nunca havia presenciado nada parecido até então.

Em um primeiro momento foram tomadas as ações de instalar um portão na casa, algumas janelas foram soldadas e outras receberam um sistema de alarme caseiro. Após o fim das aulas, cada um seguirá um caminho, a maioria deles em apartamentos.



Até o vencimento do contrato os adolescentes terão que continuar na casa. Sem poder fazer grandes investimentos improvisaram um sistema de segurança.

Assalto em condomínio fechado


Nada de portões. Era essa a segurança oferecida pelo condomínio fechado em Betel.

Dezembro de 2006. Natália assistia TV na sala com seu irmão quando ouviu um barulho. Seus pais estavam no quarto e rapidamente foram até a janela para ver o que estava acontecendo. Não deu tempo de agir. Apontando uma arma e dando ordens para que ficassem em silêncio dois homens entraram na casa. Todos da família foram feitos reféns e trancafiados no banheiro não conseguiram evitar que eletrodomésticos, jóias e dinheiro fossem encontrados e levados pelos assaltantes.
Traumatizada a família não pensou duas vezes, e na semana seguinte fechou a compra de um terreno. Em menos de um ano a casa ficou pronta e a edícula, aos fundos de uma loja de autopeças em um bairro periférico de Campinas foi substituída pelos altos muros de um recém-inaugurado condomínio fechado na cidade de Betel.



A nova casa de Natália foi uma das primeiras a ser construída no condomínio.



Aos poucos a nova rotina ia sendo incorporada e as perdas do assalto recuperadas. Na nova casa tinham a sensação de que estavam seguros.
O Natal do ano de 2007 se aproximava. Natália acabou de fazer seus exercícios noturnos, encostou a porta de vidro do quintal, apagou a luz e subiu a escada em direção ao seu quarto. Meia hora depois três homens encapuzados entraram na escola estadual vizinha ao condomínio. Pularam o muro e caíram na casa de Natália. Abriram a porta de vidro e subiram a escada.




Aos poucos a nova rotina ia sendo incorporada e as perdas do assalto recuperadas. Na nova casa tinham a sensação de que estavam seguros.
O Natal do ano de 2007 se aproximava. Natália acabou de fazer seus exercícios noturnos, encostou a porta de vidro do quintal, apagou a luz e subiu a escada em direção ao seu quarto. Meia hora depois três homens encapuzados entraram na escola estadual vizinha ao condomínio. Pularam o muro e caíram na casa de Natália. Abriram a porta de vidro e subiram a escada.




A família, mais uma vez feita refém, ficou amarrada no chão do quarto do irmão de Natália. Enquanto isso viam os objetos de valor, que haviam sido recuperados desde o último assalto, há exatamente um ano, serem levados.
Em meio às buscas por bens valiosos as balas pertencentes a arma que o pai de Natália mantinha escondida em casa, foram encontradas pelos assaltantes. Os filhos viram o pai ser desamarrado e receber vários socos na cara e no estômago. Natália, conseguindo se soltar, entrou na frente do pai e também foi agredida.
Hoje a família ainda vive nesse mesmo lugar, mas se mobilizou para que cerca elétrica e câmeras de segurança fossem colocadas ao redor da escola. Também contaram com a construção de outras duas casas com muros ainda mais altos que os do condomínio, que criaram uma verdadeira barreira para a casa.



Natália Bertoni Rosa. Para ela ainda é cedo para falar em tranqüilidade.

Mesmo depois de quase dois anos do último assalto o medo ainda existe, inevitavelmente foi incorporado à rotina.

Rotina


Condomínio fechado de alto padrão em Campinas. Isolado e de difícil acesso.

Cinco de outubro, segunda-feira, seis e meia da manhã. Simone Prando entra em seu carro blindado, deixa os portões do condomínio de alto padrão em Campinas para buscar sua empregada, que a espera no ponto de ônibus, há três quilômetros dali. Não há uma esquina em que se possa comprar um pão quentinho ou um banco no próximo quarteirão, nem mesmo uma farmácia logo ali em caso de emergência. A distância do centro e da maioria da população foi a solução que esses moradores encontraram para se sentirem seguros.



A estrada de acesso ao condomínio: perigosa, sem iluminação e acostamento. O asfalto é precário e não há sinalizações. Nada que atrapalhe o os moradores em seus carros potentes.

Quatro da tarde. O carro visitante se aproxima, um primeiro portão se abre revelando outro. Um vidro escuro e blindado protege os seguranças na portaria. Isoladas, pelos altos muros e pela distância da cidade, as amigas papeiam enquanto tomam sol na recém inaugurada piscina de Simone.




Ampla, com diferentes profundidades, cachoeira e temperatura controlada. É quase igual a que existe na área de uso comum do condomínio, há vinte passos da casa de Simone, mas “para as crianças era muito desagradável nadar quando outros vizinhos estavam lá. Elas não se sentiam a vontade”. Uma churrasqueira e um deck, espaçoso para os dias de festa, também são novidades na casa, assim como alguns pés de jabuticabeira.



O carro fica prensado entre os dois portões. As formalidades são cumpridas.


Tudo especialmente construído para agradar as crianças.

Depois de duas horas de conversa é hora de um coffee break. Em meio a música ambiente alguns gritos e vozes de crianças interrompem a tarde calma e tranqüila das amigas. “As crianças da casa vizinha estudam de manhã”. Apesar de os moradores desse condomínio mal se conhecerem, não se cumprimentarem e muito menos recorrerem uns aos outros quando necessário, sabem quase que detalhadamente sobre a rotina dos condôminos. Talvez porque elas não sejam tão diferentes assim.

O sol se põe e as amigas se despedem.

Faroeste Caipira



Os últimos raios de sol tocam seu distintivo dourado que resplandece. Alto, com a barba bem feita e cara de poucos amigos, Marcos entra no gol branco. Está na hora da patrulha pelas ruas da Cidade Universitária.
A luz azul do giroflex busca seu espaço por entre as sombras das inúmeras árvores plantadas em todas as calçadas deste bairro. O silêncio é interrompido pelo ronco do motor dos gols brancos que cruzam as ruas em um vai-e-vem que dura a noite toda.



Ainda que não andem armados, que tudo o que proporcionam é um acompanhamento para os moradores.

O telefone da “central” toca, Alcides ajeita-se na cadeira e estende a mão, alcançando o aparelho. Do outro lado da linha um morador avisa que está chegando em casa e pede que um dos carros esteja à sua espera. Um carro é deslocado para garantir que o morador chegue em segurança. Cinco minutos depois o telefone toca novamente, dessa vez era uma moradora que estava saindo de casa e desejava escolta.
Duas ruas para baixo, outro telefone, de outra “central”, tocava. Outro morador desejava companhia. Alguns meros à esquerda, outra central enviava carros-patrulha para outro morador. Nos últimos dez anos, montar empresas de segurança deste padrão tornou-se um negocio profícuo em Barão Geraldo e isso é facilmente constatado dada a abundância de empresas dessa natureza, que recebem, em média, cem reais de cada morador.



Em outro bairro da cidade, no Guará, as empresas de segurança dão lugar aos seguranças autônomos que vigiam as ruas de uma pequena guarita durante a noite. A incidência de assaltos nesse bairro é menor e, por isso, a segurança privada não é tão requisitada. Lá, os seguranças chegam às sete da noite, vestindo boné, calça jeans e chinelo, sentam-se na guarita munidos de café e bolachas e lançam acenos a cada morador que passa de carro. Às vezes o sono vence e eles tiram uma pestana. Ainda assim a sensação de segurança dos moradores da rua Joana Juliana Grigol é maior graças à presença da guarita.