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by Renata Assumpção

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Rotina


Condomínio fechado de alto padrão em Campinas. Isolado e de difícil acesso.

Cinco de outubro, segunda-feira, seis e meia da manhã. Simone Prando entra em seu carro blindado, deixa os portões do condomínio de alto padrão em Campinas para buscar sua empregada, que a espera no ponto de ônibus, há três quilômetros dali. Não há uma esquina em que se possa comprar um pão quentinho ou um banco no próximo quarteirão, nem mesmo uma farmácia logo ali em caso de emergência. A distância do centro e da maioria da população foi a solução que esses moradores encontraram para se sentirem seguros.



A estrada de acesso ao condomínio: perigosa, sem iluminação e acostamento. O asfalto é precário e não há sinalizações. Nada que atrapalhe o os moradores em seus carros potentes.

Quatro da tarde. O carro visitante se aproxima, um primeiro portão se abre revelando outro. Um vidro escuro e blindado protege os seguranças na portaria. Isoladas, pelos altos muros e pela distância da cidade, as amigas papeiam enquanto tomam sol na recém inaugurada piscina de Simone.




Ampla, com diferentes profundidades, cachoeira e temperatura controlada. É quase igual a que existe na área de uso comum do condomínio, há vinte passos da casa de Simone, mas “para as crianças era muito desagradável nadar quando outros vizinhos estavam lá. Elas não se sentiam a vontade”. Uma churrasqueira e um deck, espaçoso para os dias de festa, também são novidades na casa, assim como alguns pés de jabuticabeira.



O carro fica prensado entre os dois portões. As formalidades são cumpridas.


Tudo especialmente construído para agradar as crianças.

Depois de duas horas de conversa é hora de um coffee break. Em meio a música ambiente alguns gritos e vozes de crianças interrompem a tarde calma e tranqüila das amigas. “As crianças da casa vizinha estudam de manhã”. Apesar de os moradores desse condomínio mal se conhecerem, não se cumprimentarem e muito menos recorrerem uns aos outros quando necessário, sabem quase que detalhadamente sobre a rotina dos condôminos. Talvez porque elas não sejam tão diferentes assim.

O sol se põe e as amigas se despedem.

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